Numa altura em que o turismo está de novo a crescer, e numa fase em que o turismo acessível e as Pessoas com Deficiência (PCD) têm cada vez mais impacto na indústria do turismo e hospitalidade, e sem esquecer o impacto do turismo na economia portuguesa, é importante dar destaque aos turistas sobre rodas, uma vez que estes são a ponta final de uma cadeia de valor que o Turismo Acessível visa alcançar.

É importante lembrar que em Portugal as infraestruturas estão a ser pensadas e montadas já a pensar nas PCD, e ao começar a existir mudança no paradigma nacional, temos estudos no estrangeiro a afirmar como é difícil a nossa inclusão e representação nos materiais de promoção do turismo, por exemplo, nos Estados Unidos, um estudo onde apresentam como factos as brochuras, a negação ocidental ao turismo de PCD, e também um estudo sobre os Agentes de Turismo que acolhem, ou não, este tipo de mercado. No caso dos Operadores Turísticos, também existem estudos publicados que confirmam uma enorme dificuldade em criar pacotes de viagens acessíveis, pois não existe uma plataforma a nível mundial, onde se reúnam as informações acerca das acessibilidades dos destinos, infraestruturas, alojamentos, etc.

Então, o que está a faltar para que nós tenhamos pleno direito a viajar sobre rodas, sem que cheguemos ao destino e nos arrependamos?

Falta a vontade de virar a página por parte das organizações nacionais de promoção de destinos turísticos, em perceber que o Turismo Acessível já ocupa 25% do total do turismo mundial.

Falta perceber que há uma clara exclusão desta quota de mercado, em que encontramos Empreendimentos Turísticos com unidades de alojamento, em que pessoas com deficiência querem viajar em casal e têm de escolher os hotéis a dedo, uma vez que estes têm quartos adaptados, mas as camas são de solteiro. Esta falta de sensibilidade está presente quando temos cidades com um traçado e vias completamente inacessíveis, com sinais no meio de passeios, com buracos criados pelas raízes árvores, passeios com degraus e sem rampas ou até monumentos inacessíveis sem elevador ou rampas.

Além de tudo isto, existem ainda dois estudos fundamentais em Portugal, em que no primeiro o autor destaca o desenvolvimento do turismo regional do Centro de Portugal, defende a necessidade de uma boa estratégia de marketing, enfatizando o facto de haver estruturas de apoio e projetos para incentivar a este nicho de mercado, destacando os projetos desenvolvidos pelo Turismo do Centro de Portugal e, por fim, um segundo estudo que mostra o balanceamento entre as desvantagens da falta de desenvolvimento e o exercício de impactos positivos em destinos turísticos de grande escala.

Então, resumindo tudo o que tenho dito, não existe uma inclusão relacionada com os esforços de promoção da acessibilidade dos destinos por parte das organizações nacionais de gestão dos destinos. Além disso, há uma enorme discrepância entre o que é escrito pelas referidas organizações (conteúdo explicito) e o que é mostrado pelas mesmas cá fora (conteúdo implícito).

 

Tiago Magano
Turista Sobre Rodas

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