A úlcera de pressão pode ser considerada uma ferida crónica devido ao seu complexo processo de cicatrização e é caraterizada por um dano na pele, provocado pela diminuição da circulação sanguínea e ocasionada pela pressão em determinada área da pele.

Surgem frequentemente nas proeminências ósseas, onde a pressão ou a fricção com uma superfície externa dura, impede que a pele tenha uma suficiente oxigenação.  Fatores como a humidade e uma nutrição desadequada também contribuem para o seu aparecimento.

As úlceras de pressão podem ser categorizadas em 4 níveis: na primeira categoria encontra-se um rubor não branqueável, que pode ser acompanhado de alterações na firmeza e na temperatura da pele. Na segunda fase, para além do rubor, verifica-se alguma perda de pele. Na terceira fase já existe notoriamente uma ferida que apresenta algum tecido desvitalizado, mas ainda sem atingimento dos músculos, tendões e ossos, situação que no entanto se pode verificar na quarta fase.

Qualquer pessoa com diminuição da mobilidade seja pela idade, ou por uma doença que a deixe confinada ao leito, a uma cadeira de rodas ou a um dispositivo rígido de tratamento (tala, prótese) ou até um dispositivo médico como uma algália, apresenta um risco acrescido de contrair uma úlcera de pressão.

Este quadro pode ser agravado pela presença concomitante de outras doenças que alterem a sensibilidade da pessoa, como diabetes, doença arterial periférica, insuficiência venosa, parésia/paralisia ou ainda que alterem a capacidade de perceção como no caso da demência.

O tratamento de uma úlcera de pressão pode ser moroso e em casos mais graves pode necessitar de intervenção de um cirurgião plástico.

Todo este processo está intimamente implicado na redução da qualidade de vida da pessoa/família, o que se percebe facilmente se for tido em conta o isolamento social, a alteração da auto-imagem, o desconforto e os elevados custos associados ao tratamento destas feridas, situação que tende a ser agravada, quanto mais elevado for a categoria da úlcera de pressão. Por isso, é primordial apostar na prevenção.

Se para a maior parte das pessoas as úlceras de pressão podem provocar dor e por isso, serem facilmente identificáveis, para aquelas que vêem a sua sensibilidade diminuída ou ausente, a sua atenção deve ser redobrada, pelo risco de encontrar uma lesão num estado já bastante avançado.

Enumera-se algumas medidas preventivas mas eficazes, respeitantes ao aparecimento de úlceras de pressão:

  1. Um posicionamento correto do corpo, que seja frequente, que atenda ao alívio da pressão nas proeminências ósseas, com o uso de almofadas ou dispositivos próprios para o efeito.
  2. Manutenção da pele sem humidade mas hidratada
  3. Uma alimentação adequada
  4. Exercício físico adequado às condição da pessoa (passivo ou ativo), de forma a favorecer a circulação sanguínea e a mobilidade.
  5. Roupa da cama esticada e sem rugas.
  6. Se usar cadeira de rodas e tiver mobilidade nos membros superiores é produtivo efetuar push-ups com alguma frequência de forma a aliviar a pressão,
  7. Se não tiver capacidade para efetuar push-ups, deve evitar ficar muito tempo seguido sentado na cadeira de rodas.
  8. Uso de dispositivos que facilitem o alívio da pressão como colchões e almofadas dinâmicas existentes no mercado em variados materiais.
  9. Vigiar com frequência sinais de úlcera de pressão na pele.

Se apesar de tudo surgir alguma lesão que não reverta, não deve hesitar em procurar a ajuda junto dos seus cuidados de saúde.

 

Margarida Coelho
Enfermeira de Reabilitação